Por que economizar no cafézinho não funciona?

setembro 3, 2021 0 Por odinheirista

O brasileiro é endividado por natureza. Você sai de casa cedo, rala que nem um condenado em situações desagradáveis, sem horário fixo para comer, com família para sustentar e ainda por cima, ganhando miséria para, quem sabe, comer churrasco com os amigos, caso sobre dinheiro 🙁

A característica comum é se iludir pela falsa sensação do crédito fácil. Transformaram o salário em duas ou três vezes mais, num passe de mágica.

“Eu mereço. Eu trabalho duro, faço tudo o que me pedem, fico até tarde escrevendo o relatório. Por que não?”.

Presente vai, presente vem e quando percebe, está no cheque especial, com o gerente do banco ligando para informá-lo de que está com a conta negativa. Consternado, você pensa: “Como parei lá?”.

Após extensa reflexão (com um certo desespero), você decide organizar seu orçamento, porém sem saber como. Quem você procurará?

É aí que entra o educador cafézinho;  o profissional das finanças pessoais que defende economias de migalhas, como o café. Você faz os cálculos e conclui que economizando R$3 reais todo dia, ao final do ano, acumulará X reais. Matemática feita, agora é mão na massa 🙂

Uma semana…mole!

Duas semenas…a abstinência!

Três semanas…você desiste!

Você coça a cabeça, pois tudo foi feito corretamente.

Será você o problema? O “expert” em finanças diria que sim, devido a sua fraquesa e falta de “mentalidade rica”.

Felizmente, a dificuldade se encontra no método!

Por que economizar no cafézinho não funciona e ainda acaba com seu sono

Quando as contas enormes chegam, um frio na espinha. Você cogita adiar aquele futebolzinho do fim de semana, pois a alimentação dos filhos é prioridade.

Qual foi a última vez que você dormiu sossegado? Você se convence de que “vai melhorar”. Entretanto, você não acredita nisso. E aquele limite do cheque especial está mais tentador, a medida que falta grana para o básico.

O empréstimo feito em 12 vezes? Refinancia!

O consórcio do carro? Deixo atrasar

As faturas do cartão? Pago o mínimo

Ah, que saudade do café 🙂

A despesa pequena como forma de bem-estar

De que adianta viver se tivermos que abrir mão de todos nossos pequenos prazeres? Para que enriquecer se não podemos nem tomar um cafezinho com os amigos todas as manhãs? (Papo de Homem)

Você caiu no mito da economia do cafézinho, que te faz concluir, semanas depois, que foi insiginificnte. “Ah, mas eu guardei X reais por causa disso” —  já saiu do SPC?

Provavelmente você ainda não se ligou, mas você faz uso do café para produzir, exercitar-se melhor e bater aquele papo intelectual com seu amigo nerd.

“Pensando bem, eu não consigo deixar de escrever sem meu café”:)

O café,por exemplo, exerce uma influência positiva na sua satisfação. Seja:

  • Ao acordar;
  • Na reunião do trabalho;
  • Na academia (antes e depois de treino);
  • Na padaria;
  • Após almoço e jantar;

“Ah, mas eu não acredito em você” 

O que você está abrindo mão, além da grana? Se liga! Todas aquelas contas feitas no papel fogem de uma verdade: você está desperdiçando energia no lugar errado. O seu salário diminui mais rápido do que você consegue economizar e, no ffim, a constatação do tempo perdido.

Não há relatos sólidos de quem tenha feito

Na semana passada eu postei um vídeo no Instagram solicitando exemplos de pessoas bem-sucedidas na empreitada. Estava quase na hora de dormir, quando recebo, às 22:00 horas, uma mensagem no meu perfil. Uma moça me responde “Eu fiz”. Em seguida, peço informações acerca do passo a passo. Até hoje espero pela resposta. Nunca ouvi relatos de transformação após a redução do dito cujo.

-(Educador): Sabia que se você economizasse X reais de café diariamente, ao final de Y anos, você terá economizado um Ferrari?

-(Espectador): Você toma café?

-(Educador): Não.

-(Espectador): Então cadê a sua Ferrari?

Estamos nos tornando uns economizadores profissionais, sendo que os preços aumentam, o que mal dá para ir no boteco, sem contar a expectativa da demissão e metas sem fim. Uma clientela, que prefere as renúncias, se enganando com a ideia de que o café é o vilão ao invés de priorizar maiores ganhos e reduzir drasticamente o que não presta.

Escutamos dos especialistas que a solução está em gastar menos, que valoriza as contas pagas antes do vencimento. Acham que todos os dilemas se resolvem com a matemática, mas de alguma forma você ainda deve e tenta convencer os outros de que estão jogando dinheiro no lixo. E nos achamos o tal, quando na verdade ninguém se importa e, além disso, sabem que você vive apertado.

A economia exemplificada é fictícia e inviável

A economia mostrada é teórica a não ser que:

  1. Retire 3 reais na conta-corrente e deposite em um fundo específico;
  2. Repita por 52 semanas ou 365 dias por ano exaustivamente.

Desconfortável? Pois é…

Você imagina como seria e se dá conta de que é penoso. Os mais de R$ 2 mil reais no final do ano só se efetivarão caso execute os passos acima, supondo que você não gaste esse dinheiro em desnecessidades.

Você conhece a teoria da compensação do corpo? Profissionais de saúde explicam que é um meio de suprir caloricamente as demandas oriundas do exercício exaustivo, comprometendo seus resultados. Você já a experimentou após um exercício intenso; você chega em casa querendo devorar o que encontra pela frente, pois “não faz mal comer um pouco, pois dei uma suada”. Em uma hora, biscoito, brigadeiro e um Big-Mac. Game Over

Na tentativa de economizar, seu cérebro troca as sobras pelas bolsa, sapatos ou eletrônicos.

“É só começar de novo”– Será?

E a conta ainda está no vermelho

Afito, você olha para sua conta bancária. Que talvez financiado um apartamento não era o ideal e que consorciar um carro não faz sentido. Agora você está cheio de amarras, com sua liberdade está cerceada pelo quanto você gasta e os cardápios são vistos da direita para a esquerda. Você é escravo do dinheiro.

Em algum lugar você acreditou que ganharia o suficiente para sempre. Você achou que as coisas iriam melhorar se você economizasse onde não faz a menor diferença. Você está estabelecendo uma relação em que as suas escolhas são pautadas pelo quanto você economizaria caso escolhesse uma opção mais vantajosa.

“Isso aqui é caro, não podemos pagar”

“Mas se eu fosse ali no outro lado da esquina, teria 15 reais a mais no bolso”.

Você quer que seja diferente, mas só enxerga o que convém.

Reduza o que te incomoda ou leve ferro

Empréstimos, financiamentos, cartões de créditos e gastos pessoais além da conta são os 4 cavaleiros da dívida. Eles trazem mais dano do que qualquer insônia causada pelo excesso de cafeína. Entre os endividados, quase que a totalidade peca por alguns dos quatro.

A maior libertação, para qualquer membro da família, é gastar sem pensar no que aconteceria amanhã caso venha a faltar. Por aqui, o status fala mais alto. Vale mais financiar um carro e exibí-lo do que andar de busão. Vale fingir que é alguém importante, quando na verdade mal começou a estagiar. Que ganha pouco, mas posa de dono do camarote. Que mal paga o consórcio, mas não tem tempo para desfazer dos cartões de crédito.

E não adianta culpar os bancos. Não são as instituições financeiras que dão aval para comprar aquela bebida de 500 reais ou aquela viagem parcelada em 12 vezes.

O brasileiro se casou com as contas atrasadas. Que sobrar dinheiro é coisa de gente que não aproveita o hoje. Que o seu mantra é o “carpe-diem”. Está na hora de mudar.

Seus amigos vão desconfiar? E daí?

Vai se sentir desconfortável? Com certeza!

E os que não apoiam a sua mudança? Que tomem no cu

Economize no cafézinho e seja infeliz

Esqueça a opção de economizar no cafézinho ou qualquer despesa incipiente, por não trazer mudança, seja pela inconsistência dos resultados e pela perda da verdadeira causa dos seus males.

Gente que gosta de dar pitaco no dinheiro dos outros sem saber das outras esferas da vida estão com os dias contados. De gente chata já tem um monte.

Agora vou ali na cozinha preparar o meu Nespresso, porque ninguém é de ferro e economizar 3 reais não é pra mim.